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A psicoterapia psicanalítica: como é?

Atualizado: 9 de jun. de 2023

Olá pessoas, como estão?


Hoje escrevo a vocês a respeito de um tema controverso, pra dizer o mínimo, no campo das psicoterapias: o que é e como funciona a Psicanálise.


Todo mundo conhece o Sr. Freud: barbudo, fumando charuto e perguntando sobre sua mãe! O cotidiano é cheio de referências às suas ideias, termos como inconsciente, ego, recalque entre outros. Pois então, ele é o Pai da Psicanálise.


Sendo a Psicanálise sua filha nada mais comum que ela se rebelasse do autoritarismo paterno e buscasse vida própria para além dos desejos parentais. Óbvio, então, que não basta falar de Freud para falarmos sobre Psicanálise e com isso quero dizer que aquela visão tradicional que muitas vezes vemos em filmes  - o psicanalista sério sentado atrás de uma pessoa deitada em um divã, embora ainda real em algumas linhas psicanalíticas, está muito longe de ser a única possibilidade de exercer a Psicanálise.


O que escreverei a seguir diz respeito ao modo como funciona a psicoterapia psicanalítica tal como a exerço (Psicanálise Relacional) no meu dia a dia com meus pacientes. Espero que vocês saiam esclarecidos das possibilidades que uma terapia profunda oferece e como ela pode ser diferente do estereótipo que nos é geralmente apresentado.


O maior objetivo da terapia é que a pessoa seja capaz de tornar-se mais consciente de si mesma e viver uma vida livre e ampliada. Isso significa dizer que o sintoma não é o problema, mas indica que há um problema. Me explico, por exemplo: depressão e ansiedade. Duas condições comuns que levam as pessoas a buscar ajuda de um profissional Psi. Quando o paciente chega até mim com esse tipo de diagnóstico, para muitos psiquiatras e psicoterapeutas esse é o problema; com meu olhar psicanaliticamente orientado, entendo que isso é como a febre, isto é, indica que você está respondendo às demandas da sua vida, da sua realidade, de maneira tal a produzir uma experiencia de sofrimento que vem a ser rotulada como depressão e/ou ansiedade (a febre emocional).


Não quero negar a realidade dessas condições, pelo contrário, ao entendê-las dessa maneira estou aprofundando a seriedade delas. O que acontece é o seguinte: os sintomas depressivos e ansiosos indicam algo mais profundo e disfuncional; indicam que a maneira pela qual você compreende quem você é, quem e como são as pessoas, qual seu lugar no mundo e quais os modos possíveis e justos de estar e se relacionar com os outros não têm sido suficientes para você conduzir sua vida. Não basta mudar hábitos. É necessário mudar o Ser, quem você no seu mais íntimo é. Uma mudança muito mais abrangente que aquela proporcionada pela medicação ou uma terapia focada apenas no comportamento aparente (sintoma).


Para melhor entender essa diferença entenda que, basicamente, são dois tipos de tratamentos mentais disponíveis: o primeiro que diz saber de antemão qual é o problema, o diagnóstico,  quais são os métodos corretos, quais os resultados a serem obtidos, enfim: siga esse manual de instrução, faça essas atividades/técnicas (listas, diários, anotações, olhar no espelho e falar frases etc) e você estará curado.


O segundo tipo de tratamento, no qual a terapia Psicanalítica Relacional se encontra, não tem como objetivo te ensinar alguma coisa, te ensinar técnicas, te transformar em um aluno numa relação meramente pedagógica, não! Pelo contrário. Na Psicanálise Relacional a terapia é um experiência de vida e na vida da pessoa. Não se trata de um encontro meramente intelectual, mas primariamente uma experiência afetiva. Um encontro entre duas almas navegando pelo inferno e pelo céu da experiência humana, na maior parte do tempo a do paciente, mas muitas vezes o terapeuta compartilha da sua experiência também, em uma troca, assimétrica, é bem verdade,  porém genuína e libertadora.


Costumo dizer que durante a sessão você experimenta o máximo de liberdade possível na sua vida. Nela você pode falar tudo, absolutamente tudo que vier à sua mente, sem censura, na certeza de que seu terapeuta está aberto a te ouvir sem julgamentos, na aposta de que a cura vem da fala que encontra o que há de melhor, mas também, o que há de pior na sua essência. Xingamentos, fantasias sádicas e desejos que você oculta de si mesmo são convidados a serem protagonistas sem preocupação quanto ao julgamento do analista em relação a quem você é. Aceitação absoluta, pois "tudo que é humano não me é estranho", para citarmos Nietzsche, e não só pode como deve surgir durante o tratamento.

Podemos sintetizar essa experiência que acabo de descrever com 7 pontos a serem trabalhados durante o processo psicoterápico:

  1. Foco no afeto;

  2. Identificar inibições e defesas;

  3. Mapear e compreender temas recorrentes durante a vida;

  4. Entender sua história de vida com foco nas etapas de desenvolvimento anteriores;

  5. Foco nos relacionamentos que constituem a base da sua personalidade;

  6. Explorar a Fantasia (memórias, sonhos, imagens);

  7. Desenvolver e aprofundar a aliança terapêutica;

No desenrolar da terapia o paciente nos ensina como conduzir o processo, ou seja, cada terapia é única, feita sob medida para cada paciente. Daí a necessidade de o terapeuta ser versátil, podendo navegar um amplo espectro de emoções e jeitos de ser e estar no mundo. Disso decorre também a importância do terapeuta reconhecer suas limitações e, em casos que não se considera versátil o suficiente, encaminhar o paciente para colegas que apresentem perfil mais compatível com a pessoa atendida.

Esses 7 pontos vou explorá-los mais detidamente em outro texto. Então fiquem atentos e boa leitura!




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