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A Psicanálise Relacional de Jessica Benjamin: Laços de Amor


O livro Bonds of Love (em tradução livre, “Laços de Amor”), da psicanalista e teórica feminista Jessica Benjamin, explora as dinâmicas psicológicas de poder, amor e reconhecimento nas relações humanas. Benjamin se aprofunda na análise dos relacionamentos de dominação e submissão, usando uma abordagem que cruza psicanálise, feminismo e teoria crítica para investigar como as pessoas buscam reconhecimento mútuo, mas muitas vezes caem em padrões de controle e submissão.


Vamos às ideias centrais de Jessica Benjamin:


1. A Teoria do Reconhecimento


Benjamin se baseia nas teorias de reconhecimento de filósofos como Hegel para argumentar que todos os indivíduos têm uma necessidade fundamental de serem reconhecidos como autônomos e ao mesmo tempo interdependentes. Em outras palavras, buscamos relações em que tanto nós quanto o outro sejamos vistos e validados como sujeitos independentes, com vontades próprias, mas conectados. Esse é o ideal de um “reconhecimento mútuo”, no qual os dois lados se enxergam como parceiros igualmente importantes e respeitados. Daí resulta que a busca humana não é por independência em contraponto a dependência, mas o estabelecimento de relações de interdependência e mutualidade o que implica em qualidade da dependência, uma vez que ela é inevitável, dada nossa condição humana de ser social/relacional.


Imagine uma dança de casal onde ambos precisam sincronizar seus movimentos sem que um “pise” no pé do outro. Em uma dança bem sucedida, ambos têm seu movimento e individualidade, mas colaboram para que a dança funcione o que seria impossível se não houvesse uma parceria. Da mesma forma, Benjamin sugere que o reconhecimento mútuo é uma espécie de “dança” emocional e psicológica, onde ambos devem se enxergar e respeitar como sujeitos, sem tentar controlar ou ser controlado.


2. Dominação e Submissão: Por Que Ocorrem?


Mesmo que o ideal seja o reconhecimento mútuo, Benjamin observa que, na prática, as relações frequentemente caem em padrões de dominação e submissão. Ela explora a psicologia por trás disso e sugere que, quando uma pessoa não se sente completamente reconhecida, pode tentar afirmar seu poder sobre o outro, criando uma dinâmica onde um se torna o dominador e o outro o submisso.


Benjamin utiliza a psicanálise para explicar como essas dinâmicas se formam desde a infância. Segundo ela, as relações iniciais com figuras parentais moldam a forma como uma criança entende a separação e a individuação. Se a criança não consegue internalizar uma relação de reconhecimento mútuo, ela pode crescer com uma necessidade de exercer poder sobre os outros para sentir que existe, ou, ao contrário, com a tendência a se submeter para encontrar segurança na aprovação do outro.


Pense em um jogo de cabo de guerra, onde uma pessoa quer puxar para um lado (dominação) e a outra cede para o outro (submissão). Essa dinâmica de “ganha-perde” é exatamente o oposto do reconhecimento mútuo, pois um dos lados sempre acaba perdendo para o outro. No entanto, Benjamin argumenta que muitas pessoas acabam entrando nesse tipo de “jogo” por conta de experiências e inseguranças que vêm de suas relações iniciais e moldam a forma como buscam reconhecimento.


3. O Feminismo e o Desejo de Autonomia e Relação


Benjamin também questiona as relações de poder entre os gêneros e como a sociedade historicamente reforça papéis de dominação masculina e submissão feminina. Ela critica o modelo patriarcal, que valoriza a independência masculina e a dependência feminina, e afirma que essa estrutura dificulta o desenvolvimento de relações saudáveis e de reconhecimento mútuo entre homens e mulheres.


Ela argumenta que as mulheres, em especial, muitas vezes se encontram presas entre o desejo de serem vistas como autônomas e a expectativa de se submeterem às necessidades dos outros, especialmente dos homens. Esse “duplo vínculo” cria um conflito interno, onde a mulher busca ser reconhecida e respeitada por quem é, mas também sente pressão para cumprir expectativas de submissão e agradar aos outros.


Imagine-se andando em uma corda bamba, tentando equilibrar-se entre dois extremos: de um lado, a autonomia, e, de outro, a expectativa de submissão. Esse equilíbrio é quase impossível de manter sem que a pessoa sinta um desgaste emocional constante. Segundo Benjamin, a sociedade ainda espera que as mulheres naveguem essa corda bamba, ao mesmo tempo que reconhece menos seu direito à autonomia.


Conclusão: Como Criar Relacionamentos Saudáveis?


Em Bonds of Love, Jessica Benjamin propõe que, para superar essas dinâmicas destrutivas, é fundamental desenvolver uma “terceira posição” nas relações. Isso significa criar um espaço onde ambos os parceiros possam negociar suas necessidades e limites, reconhecendo-se mutuamente como sujeitos autônomos. Ela acredita que, somente quando há esse tipo de reconhecimento mútuo, é possível construir um relacionamento saudável e equilibrado, em que as pessoas possam coexistir sem a necessidade de exercer controle ou se submeter.


Essa ideia tem implicações profundas para relações íntimas, mas também para a sociedade como um todo. Para Benjamin, o reconhecimento mútuo é uma ferramenta poderosa para transformar a forma como nos relacionamos, criando um ambiente onde poder e amor podem coexistir sem que um se sobreponha ao outro.



Texto criado com auxílio de inteligência artificial.



 
 
 

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©2023 by Mário Bertini Psicólogo e Psicanalista

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