A aceitação sem conformismo: do terceiro benjaminiano ao meme ético da Oração de São Francisco
Introdução
A psicanálise contemporânea herdou de Freud uma tensão estruturante: a polaridade entre atividade e passividade, entre aquele que age e aquele que sofre a ação. Essa dicotomia, que atravessa tanto a metapsicologia pulsional quanto a clínica das perversões, tende a se cristalizar em posições complementares — sádico e masoquista, agente e paciente, sujeito e objeto — nas quais um polo da relação parece condenado a exercer agência enquanto o outro é reduzido à posição de coisa. O presente ensaio argumenta que a noção de terceiro desenvolvida por Jessica Benjamin, ancorada nas teorias contemporâneas do desenvolvimento do self na relação bebê-cuidador, oferece uma via de superação dessa dicotomia. Essa superação encontra um correlato clínico na reformulação que Emmanuel Ghent propõe do masoquismo e do sadismo como perversões de uma tendência mais originária: o surrender. Propõe-se aqui traduzir surrender não como “rendição” ou “submissão”, mas como aceitação sem conformismo, numa articulação com as tradições do estoicismo e do budismo Zen. Conclui-se com uma leitura da Oração de São Francisco como meme — no sentido científico que Richard Dawkins confere ao termo —, concebida como forma de síntese guia para interações éticas que reconheçam a si mesmo e ao outro como sujeitos.
1. Jessica Benjamin: o terceiro como superação da dicotomia “quem faz/quem sofre”
A contribuição mais difundida de Jessica Benjamin à psicanálise relacional é a noção de terceiro (thirdness), apresentada em seu artigo de 2004, “Beyond Doer and Done To” (Além do que faz e do que sofre). Benjamin parte de uma observação clínica e desenvolvimentoal decisiva: nas relações humanas, especialmente nas mais intensas, há uma tendência constante a que a intersubjetividade colapse em dinâmicas complementares nas quais um sujeito se posiciona como agente e o outro é experimentado como objeto. Essa dinâmica — que Benjamin chama de “doer/done-to” — não é um acidente patológico, mas uma inevitabilidade do encontro entre dois centros de iniciativa .
A novidade da proposta benjaminiana não está em descrever essa complementaridade — Hegel já o fizera na dialética senhor-escravo —, mas em apontar que existe uma saída: não a reversão dos polos (o que apenas trocaria “quem faz” por “quem sofre”), mas a constituição de uma posição terceira que mantém em tensão a diferença e a semelhança, reconhecendo o outro como “um centro separado, mas igual, de iniciativa e consciência, com quem, no entanto, sentimentos e intenções podem ser compartilhados” . O terceiro não é uma entidade externa ao par, nem uma síntese dialética que anula os opostos: é um espaço potencial — no sentido winnicottiano — que emerge entre dois sujeitos quando ambos renunciam à pretensão de controle absoluto sobre o outro.
A fundamentação desenvolvimentoal dessa tese está na releitura que Benjamin faz da relação bebê-cuidador. Contra uma leitura unilateral em que o cuidador “contém” e o bebê “é contido”, Benjamin insiste que ambos são sujeitos ativos numa relação assimétrica, mas não unilateral . O cuidador não é apenas aquele a partir do qual a criança se torna sujeito; ele também precisa ser reconhecido pela criança, e essa necessidade de reconhecimento recíproco é constitutiva do self de ambos. Como sintetiza um comentador, o terceiro “cresce a partir das respostas de apego entre mãe e bebê” , o que significa que a capacidade de sustentar a terceiridade é uma conquista desenvolvimentoal, não um dado originário.
O ponto crucial para a superação da dicotomia “quem faz/quem sofre” é a observação de que a terceiridade não é alcançada por uma renúncia à agência, mas por uma rendição (surrender) que não é submissão. Benjamin diferencia explicitamente as duas: “a rendição implica libertar-se de qualquer intenção de controlar ou coagir” . No espaço da terceiridade, não nos submetemos ao Outro quando respeitamos sua agência; ao contrário, rendemo-nos ao terceiro, abandonando a posição absoluta de autoafirmação sem abdicar da própria perspectiva. A sobrevivência à destruição — conceito que Benjamin herda de Winnicott — é o que permite que o outro se torne real e abre espaço para a terceiridade .
Essa formulação tem consequências éticas profundas. Se a dicotomia “quem faz/quem sofre” é uma tentação constante da psique, e se a saída não está na inversão dos polos mas na constituição de um espaço terceiro, então a ética relacional não consiste em escolher entre agir e sofrer, mas em sustentar a tensão entre agência e reconhecimento. O sofrimento não é negado — Benjamin fala explicitamente de uma “vulnerabilidade compartilhada” diante da falta de controle, do sofrimento e da morte —, mas deixa de ser uma posição identitária para se tornar um aspecto da condição compartilhada de sujeitos que se reconhecem mutuamente.
2. Emmanuel Ghent: o masoquismo como perversão do surrender
A tese de Emmanuel Ghent em “Masochism, Submission, Surrender” (1990) dialoga diretamente com a problemática benjaminiana, ainda que por um caminho diferente. Ghent parte de uma observação clínica que o intrigava: por que certos pacientes parecem buscar o sofrimento, a humilhação, a submissão? A resposta convencional — o masoquismo como busca de prazer na dor, ou como expressão da pulsão de morte — parecia-lhe insuficiente. Ghent propõe uma hipótese ousada: o masoquismo é a perversão de uma tendência mais originária e saudável, que ele nomeia surrender .
O que Ghent entende por surrender? Não a rendição ao inimigo, não a capitulação, não a submissão. Ele descreve o surrender como um “desejo intenso de se entregar no sentido de dar-se over, abandonando a superestrutura defensiva” . É um movimento de abertura, de letting-go, que Ghent associa a uma “qualidade de libertação” . A pessoa que se rende no sentido ghentiano não é aquela que se anula diante do outro, mas aquela que abandona as defesas que a mantinham fechada à experiência do encontro. Há, nesse movimento, uma dimensão de confiança: só se rende quem acredita que o ambiente é suficientemente seguro para acolher a vulnerabilidade.
A perversão, nesse quadro, não é a negação do surrender, mas sua distorção. Ghent fala de “distortion, corruption, diversion, misconstruction” . O masoquista não deixou de desejar o surrender; ele desistiu de acreditar que o surrender é possível, e passou a buscar uma caricatura dele: a submissão. A submissão é a forma defensiva do surrender, a maneira pela qual alguém que não confia no outro tenta ainda assim obter algo da experiência de entrega — mas o faz através do controle. O masoquista controla o outro ao se colocar na posição de vítima; o sádico controla o outro ao se colocar na posição de algoz. Ambos são, nas palavras de Ghent, “projetos relacionais” : tentativas de manter algum vínculo na ausência da confiança necessária para o surrender genuíno.
A simetria com Benjamin é notável. Para Benjamin, a dinâmica doer/done-to é uma defesa contra a terceiridade: quando não suportamos a tensão da mútua vulnerabilidade, recuamos para posições complementares nas quais um controla e o outro é controlado. Para Ghent, o sadomasoquismo é uma defesa contra o surrender: quando não confiamos que o outro acolherá nossa entrega, recorremos a formas pervertidas de relação nas quais a entrega é forçada ou simulada. Em ambos os casos, o que está em jogo é a dificuldade de sustentar a abertura — a abertura à agência do outro (Benjamin) e a abertura à própria vulnerabilidade (Ghent).
A tradução de surrender torna-se, assim, um problema central. As traduções correntes — “rendição”, “submissão”, “capitulação” — capturam apenas o polo defensivo, o polo masoquista. Elas não dão conta daquilo que Ghent quer destacar: uma entrega ativa que não é derrota. Proponho aqui traduzir surrender como aceitação sem conformismo. Essa fórmula busca preservar a tensão que Ghent e Benjamin identificam: aceitação porque há um acolhimento do que é, sem a tentativa de controlar ou coagir; sem conformismo porque essa aceitação não é passividade, não é resignação, não é abdicação da própria agência. É uma aceitação que transforma a relação, não que a congela numa hierarquia.
3. Estoicismo e budismo Zen: a aceitação sem conformismo
A expressão “aceitação sem conformismo” encontra ressonâncias profundas em duas tradições filosófico-espirituais que, à primeira vista, parecem distantes da psicanálise, mas que compartilham com ela uma preocupação central: como habitar a realidade sem ser esmagado por ela, sem no entanto renunciar à própria agência?
No estoicismo, a noção de amor fati — “amar o destino” — é frequentemente mal compreendida como uma forma de resignação passiva. Mas os estoicos não pregavam a passividade; pregavam a distinção entre o que está sob nosso poder e o que não está. Epicteto insistia que não somos responsáveis pelas impressões que nos chegam, mas somos responsáveis pelo assentimento que damos a elas. O amor fati não é “aceitar tudo o que acontece porque não posso mudar nada”; é “aceitar o que não posso mudar para poder agir sobre o que posso” . Há, portanto, uma dimensão ativa na aceitação estoica: ela libera energia que seria desperdiçada na luta contra o inevitável para ser investida na transformação do possível.
No budismo Zen, encontramos uma formulação análoga na noção de shikan-taza, a “grande aceitação” que é ao mesmo tempo “a mente do céu” que se estende sobre todo o universo . O Zen não prega a passividade — o zazen é uma prática intensamente disciplinada — mas uma não-resistência à realidade que permite agir com clareza, sem o ruído do apego e da aversão. A tradição Zen é explicitamente anticonformista: “o Zen significa antes de tudo libertação do espírito em relação às convenções” . A aceitação Zen não é aceitação do status quo; é aceitação da impermanência, da vacuidade, que dissolve as fixações que nos impedem de responder de forma criativa e compassiva ao sofrimento.
O que une estoicismo e Zen, e o que os torna relevantes para a tradução de surrender, é a recusa de ambas as tradições em confundir aceitação com submissão. O estoico não se submete ao destino; ele o abraça para poder agir. O praticante Zen não se submete às circunstâncias; ele as vê como são para poder responder sem ilusão. Em ambos os casos, a aceitação é uma postura ativa que pressupõe um sujeito capaz de agência — não um sujeito que abdicou dela.
É precisamente essa a acepção que Ghent quer resgatar para o surrender. O surrender não é masoquismo, não é submissão, não é capitulação: é a aceitação ativa da própria vulnerabilidade e da agência do outro, uma aceitação que não se conforma com as posições fixas de “quem faz” e “quem sofre”, mas que abre espaço para a terceiridade. A tradução “aceitação sem conformismo” busca, assim, fazer justiça a essa complexidade, recusando tanto o polo masoquista da rendição passiva quanto o polo sádico da autoafirmação controladora.
4. A Oração de São Francisco como meme: síntese guia para interações éticas
Resta concluir com uma proposta que articule os fios anteriores numa imagem capaz de funcionar como síntese guia para interações éticas. Tomo aqui a Oração de São Francisco não como texto devocional, mas como meme no sentido científico que Richard Dawkins conferiu ao termo: uma unidade de transmissão cultural que se replica, se adapta e se propaga por imitação, exercendo uma força formativa sobre os comportamentos e as cognições daqueles que a hospedam .
A Oração de São Francisco — cuja atribuição ao santo é historicamente falsa, sendo provavelmente um texto francês do início do século XX que “ficou preso” a uma imagem de Francisco e assim se tornou, ela própria, um meme antes da internet — apresenta uma estrutura notavelmente próxima daquilo que Benjamin e Ghent descrevem como a superação da dicotomia doer/done-to. Vejamos seu núcleo:
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
A estrutura da oração é relacional e transformadora: ela não nega a existência do ódio, da ofensa, da discórdia — ela os reconhece e, nesse reconhecimento, propõe uma resposta que não é simétrica (não se trata de devolver ódio com ódio, ofensa com ofensa), mas tampouco é passiva (não se trata de simplesmente suportar o ódio sem fazer nada). Trata-se de uma aceitação sem conformismo: aceito que o ódio existe — não luto contra o fato de ele existir, não me desespero com sua presença —, mas não me conformo com ele; respondo com amor.
Essa estrutura é precisamente a da terceiridade benjaminiana. O “terceiro” não é o amor em oposição ao ódio, nem o ódio em oposição ao amor: é o espaço no qual o ódio pode ser reconhecido sem que a relação colapse na complementaridade ódio/ódio ou ódio/passividade. A oração, como meme, replica essa estrutura nas mentes e nos corações daqueles que a recitam ou a ouvem: ela instala um padrão de resposta que desloca o sujeito da posição de “quem sofre o ódio” para a posição de “quem responde ao ódio” — e, ao fazê-lo, constitui tanto o sujeito que responde quanto o outro como sujeitos, e não como meros objetos de reação.
A segunda parte da oração radicaliza essa ética:
É dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se vive para a vida eterna.
Esses versos formulam uma economia paradoxal que ecoa diretamente o surrender ghentiano: não é pela retenção, pelo controle, pela autoafirmação defensiva que se alcança a plenitude relacional, mas pela entrega. “Morrer” aqui não é aniquilação, mas a morte do eu defensivo, do eu que controla e se protege — a mesma morte simbólica que Benjamin descreve quando fala em abandonar a “posição absoluta de autoafirmação” . É morrendo para a complementaridade doer/done-to que se vive na terceiridade.
Como meme, a Oração de São Francisco tem uma vantagem sobre conceitos psicanalíticos complexos: ela é portátil, memorável e afetivamente carregada. Ela não requer que o sujeito compreenda a teoria benjaminiana da terceiridade ou a distinção ghentiana entre submissão e surrender; ela instala, por repetição e imitação, um hábito relacional que corporifica esses insights. É, nesse sentido, uma tecnologia ética — um dispositivo cultural que molda a subjetividade na direção da mutualidade e do reconhecimento.
Conclusão
O percurso aqui traçado partiu da dicotomia psicanalítica entre “quem faz” e “quem sofre”, passou pela proposta benjaminiana do terceiro como posição que sustenta a tensão entre agência e reconhecimento, articulou-a com a reformulação ghentiana do masoquismo e do sadismo como perversões do surrender, propôs a tradução deste último como “aceitação sem conformismo” à luz do estoicismo e do Zen, e culminou na leitura da Oração de São Francisco como meme ético.
O fio condutor é a recusa da complementaridade. Em todas as etapas, o que se busca é uma posição que não se deixe capturar pela lógica do “ou eu controlo ou eu sou controlado”, do “ou eu faço ou eu sofro”. Benjamin mostra que essa posição é possível como terceiridade; Ghent mostra que ela depende de uma confiança que permite a entrega sem submissão; estoicismo e Zen mostram que a aceitação ativa é uma postura viável, não uma contradição; e a Oração de São Francisco, como meme, oferece uma forma cultural capaz de transmitir e replicar essa postura.
Reconhecer a si mesmo e ao outro como sujeitos não é um ato pontual, mas uma prática — uma prática que exige a coragem de abandonar as defesas, a confiança de que o outro acolherá a entrega, e a disciplina de sustentar a tensão sem recuar para as posições seguras da complementaridade. A aceitação sem conformismo é, talvez, o nome mais preciso para essa prática: aceitar o outro como sujeito, sem abdicar de si mesmo como sujeito; aceitar a vulnerabilidade, sem confundi-la com submissão. É nesse espaço — frágil, precário, sempre ameaçado de colapso — que a ética do reconhecimento se torna possível.
Segue a lista de referências utilizadas no ensaio, organizada em formato acadêmico (estilo APA).
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Referências
BENJAMIN, Jessica. Beyond Doer and Done To: An Intersubjective View of Thirdness. The Psychoanalytic Quarterly, v. 73, n. 1, p. 5–46, 2004. DOI: 10.1002/j.2167-4086.2004.tb00151.x.
DAWKINS, Richard. The Selfish Gene. Oxford: Oxford University Press, 1976. (O termo “meme” foi cunhado nessa obra para designar uma unidade de transmissão cultural que se replica por imitação.)
EPICTETO. Encheiridion. (A formulação estoica do amor fati — “não busque que os eventos aconteçam como você quer, mas deseje que aconteçam como acontecem” — expressa a aceitação ativa do destino.)
GHENT, Emmanuel. Masochism, Submission, Surrender: Masochism as a Perversion of Surrender. Contemporary Psychoanalysis, v. 26, n. 1, p. 108–136, 1990. DOI: 10.1080/00107530.1990.10746643.
GHENT, Emmanuel. The Collected Papers of Emmanuel Ghent: Heart Melts Forward. Organização de Victoria Demos e Adrienne Harris. Londres: Routledge, 2017. (Inclui o artigo de 1990 e comentários de Jessica Benjamin, entre outros.)
HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Fenomenologia do Espírito. (A dialética do senhor e do escravo, na qual a relação de domínio revela a dependência recíproca entre as consciências.)
ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS. Oração da Paz. Origem anônima, provavelmente de dezembro de 1912, publicada na revista La Clochette, em Paris. Popularmente atribuída a São Francisco de Assis (1181/1182–1226).
TOGASHI, Koichi. Surrender and Silence: The Problem of Narrative and Non-Narrative. In: The Psychoanalytic Zero: A Decolonizing Study of Therapeutic Dialogues. Londres: Routledge, 2020. cap. 1.
WINNICOTT, Donald Woods. The Use of an Object and Relating through Identifications (1968). In: WINNICOTT, D. W. Playing and Reality. Londres: Tavistock, 1971. (Conceito de “sobrevivência à destruição” e a constituição do outro como sujeito real.)
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Nota sobre o budismo Zen
A referência ao shikan-taza (a “grande aceitação” como prática de não-resistência ativa) pode ser situada na tradição de Dōgen Zenji, particularmente em textos como o Shōbōgenzō. A articulação entre a entrega ghentiana e a vacuidade budista é desenvolvida por autores como o artigo “Surrender and Silence”, que relaciona explicitamente o surrender de Ghent às filosofias orientais.
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Observação
A Oração de São Francisco, embora atribuída ao santo medieval, é historicamente um texto anônimo do início do século XX. Sua leitura como “meme”, no sentido dawkinsiano, justifica-se por sua estrutura replicável, memorável e afetivamente carregada, que a tornou um dos textos devocionais mais difundidos e adaptados da cultura ocidental — funcionando como um dispositivo cultural que molda disposições éticas por imitação e repetição.
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